Observava a vitrine. Com cálculos exatos verificara mentalmente, seriam necessários apenas treze passos, no entanto, apresentou-se uma problemática. Um rapaz moribundo, dormia, no meio do caminho, fazendo-no tropeçar. Quanta inconveniência, quanta falta de destreza! Com os óculos em mãos ralhou ao indivíduo, dantes deitado no chão, agora posto em pé de modos interrogativos. Todavia, ao menos saíra da frente, pensou. Naquela agradável noite de inverno, entregara-se enfim ao fascínio de um belo casaco disposto em loja. O mendigo atordoado sorria-lhe (não foram perturbados pela chuva torrencial e obscura). Fim.
sábado, 10 de novembro de 2012
domingo, 4 de novembro de 2012
Categorizações
Tem
termos que implicam
Sempre
incomoda-me quando ouço dizer que alguém conquistará outrem. A
mera explicitação deste desejo já me inquieta. Afinal conquistar
seja por gostar de alguém, sem reciprocidade, seja quando a terra
não pertence a ninguém então pode ser tomada, exaspera meus
sentidos. A ideia mesma do conceito, fornece um conteúdo estranho, o
que conquistamos esta vazio, a terra, a pessoa, não possui nada...
Mas, como conquistar um ser humano? Ele pertence a si mesmo. Já há
alguém ali. Pensando, agindo, tendo experiências, convivendo com
outros, estes também, cada um em si e para si, em suas
possibilidades todas de viver. Desta forma, como é pertinente querer
a conquista? Há gente desabitada? Ausente de si? Enfim, a terra
mesma, já tem seres vivos, não é preciso descobri-la. Nem
necessário coisificar o outro, como um objeto a ser possuído,
dessubjetivá-lo para pertencer-nos é tão autoritário. Considero
ser pertinente haja visto, apenas a “conquista” deste
entendimento.
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