Mascava. Suculento chiclês. O jantar seria procrastinado,
havia tempo. Podia dedilhar na mesa? Beneficies de gerente, supermercado moderno-moderno, onde...
Senhor, esquisito, uma reclamação aqui. Como assim? Equívoco. Passos rápidos e silenciosos. Largo corredor. Olhares compenetrados. Vislumbram. Senhora, baixa, carrancuda,
ares de insatisfação. Madame, em que posso lhe ser útil? Biscoitos! Temos inumeráveis biscoitos: Grandes, amassados, lisos, franzidos, com recheio no meio, ou nas bordas, ou ambos, ou sem, uns grudentos verdes com bolinhas, outros duros com raspas de fruta, uns moles vermelhos triangulares, talvez prefira os púrpura-amargas, ou quem sabe os veludosos e pequeninos de doce puro,
ou salgados, em pacotinhos ou caixas, de cores ou sabores, ou ambos... Gama
de possibilidades, qual deles deseja? Gostaria de um 100% artificial. Tem? Cruzam os olhares, de baixo para cima, vice-versa. Àqueles dispostos na prateleira indicam: Aroma sintético idêntico ao
natural e cor sintética idêntica a natural. Como é possível? Diga-me, se é idêntico ao natural é o próprio produto advindo da natureza, correto? Ou há identificação entre objetos dessemelhantes? Quero biscoito
industrializado autêntico, ou seja, um original, totalmente produzido pelo homem. O gerente balançava a cabeça. Estarrecimento. Anos de
industrialização massiva... Serão seus fornecedores tão
incompetentes? Fabricar e
comprar produtos artificialmente
naturais. Onde vamos parar? É tudo enganação ou paradoxo? Silêncio. Engolira o chiclês.
Histórias Esquivas
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
sábado, 10 de novembro de 2012
Miopia social
Observava a vitrine. Com cálculos exatos verificara mentalmente, seriam necessários apenas treze passos, no entanto, apresentou-se uma problemática. Um rapaz moribundo, dormia, no meio do caminho, fazendo-no tropeçar. Quanta inconveniência, quanta falta de destreza! Com os óculos em mãos ralhou ao indivíduo, dantes deitado no chão, agora posto em pé de modos interrogativos. Todavia, ao menos saíra da frente, pensou. Naquela agradável noite de inverno, entregara-se enfim ao fascínio de um belo casaco disposto em loja. O mendigo atordoado sorria-lhe (não foram perturbados pela chuva torrencial e obscura). Fim.
domingo, 4 de novembro de 2012
Categorizações
Tem
termos que implicam
Sempre
incomoda-me quando ouço dizer que alguém conquistará outrem. A
mera explicitação deste desejo já me inquieta. Afinal conquistar
seja por gostar de alguém, sem reciprocidade, seja quando a terra
não pertence a ninguém então pode ser tomada, exaspera meus
sentidos. A ideia mesma do conceito, fornece um conteúdo estranho, o
que conquistamos esta vazio, a terra, a pessoa, não possui nada...
Mas, como conquistar um ser humano? Ele pertence a si mesmo. Já há
alguém ali. Pensando, agindo, tendo experiências, convivendo com
outros, estes também, cada um em si e para si, em suas
possibilidades todas de viver. Desta forma, como é pertinente querer
a conquista? Há gente desabitada? Ausente de si? Enfim, a terra
mesma, já tem seres vivos, não é preciso descobri-la. Nem
necessário coisificar o outro, como um objeto a ser possuído,
dessubjetivá-lo para pertencer-nos é tão autoritário. Considero
ser pertinente haja visto, apenas a “conquista” deste
entendimento.
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