sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sintético idêntico ao natural

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                   Mascava. Suculento chiclês. O jantar seria procrastinado, havia tempo. Podia dedilhar na mesa? Beneficies de gerente, supermercado moderno-moderno, onde... Senhor, esquisito, uma reclamação aqui. Como assim? Equívoco. Passos rápidos e silenciosos. Largo corredor. Olhares compenetrados. Vislumbram. Senhora, baixa, carrancuda, ares de insatisfação. Madame, em que posso lhe ser útil? Biscoitos! Temos inumeráveis biscoitos: Grandes, amassados, lisos, franzidos, com recheio no meio, ou nas bordas, ou ambos, ou sem, uns grudentos verdes com bolinhas, outros duros com raspas de fruta, uns moles vermelhos triangulares, talvez prefira os púrpura-amargas, ou quem sabe os veludosos e pequeninos de doce puro, ou salgados, em pacotinhos ou caixas, de cores ou sabores, ou ambos... Gama de possibilidades, qual deles deseja? Gostaria de um 100% artificial. Tem? Cruzam os olhares, de baixo para cima, vice-versa. Àqueles dispostos na prateleira indicam: Aroma sintético idêntico ao natural e cor sintética idêntica a natural. Como é possível? Diga-me, se é idêntico ao natural é o próprio produto advindo da natureza, correto? Ou há identificação entre objetos dessemelhantes? Quero biscoito industrializado autêntico, ou seja, um original, totalmente produzido pelo homem. O gerente balançava a cabeça. Estarrecimento. Anos de industrialização massiva... Serão seus fornecedores tão incompetentes? Fabricar e comprar produtos artificialmente naturais. Onde vamos parar? É tudo enganação ou paradoxo? Silêncio. Engolira o chiclês.

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